Fábio Lemes

Fábio Lemes

Fábio Lemes 150 150 Redação Redação

“Por curiosidade, eu iniciei na esgrima aos 16 anos no Círculo Militar de São Paulo. No florete, permaneci no esporte por quase 2 anos até descolar meu ombro direito. Por conta desse acidente, eu optei por abandonar o esporte e focar nos estudos e na minha carreira.

Janeiro de 2018 eu vi em uma matéria que em Agosto do mesmo ano, seria realizado o X Gay Games em Paris. Entrei no site para ver as modalidades e esgrima era uma delas e pensei: Porquê não voltar ao esporte que eu sempre gostei?

Iniciei meus treinos na segunda quinzena de Fevereiro. Foram treinos específicos de esgrima juntamente com a preparação física. 6 vezes por semana por no mínimo 4 horas diárias. Também participei de semanas de treinos no Fencers Club em Nova York e na Leon Paul em Londres antes de seguir para o Gay Games.
No resultado geral individual, conquistei a 11 colocação e no por duplas (com atleta suíço-filipino Edwin Lachica) a medalha de Bronze.
O Gay Games fora meu primeiro campeonato internacional e minha primeira medalha no esporte.
O legado que o Gay Games deixou na minha vida é extremamente importante. Eu vivia em uma bolha muito confortável. Eu havia esquecido as inúmeras vezes que na época de escola eu era o alvo de bullying, especialmente nas atividades esportivas. No Gay Games eu aprendi diversas formas veladas de preconceito que diversos atletas passaram em suas vidas e, como adultos, poderíamos reverter essa situação para que gerações atuais e futuras, não tenham que passar por essas experiências negativas.
Voltando ao Brasil, optei por participar de todas as competições que estavam ao meu alcance. A minha única ressalva seria: Não esconderia minha orientação sexual. Para evitar preconceito disfarçado de piada, especulações, distrato e, acima de tudo, mostrar para outros atletas LGBT+ que não estamos sozinhos. Que nossa presença no esporte é tão válida quanto a de qualquer outro atleta. “
Fonte: Fábio Lemes em 21/06/2020